sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Vergonha...

Hoje faz 1 mês do acidente da TAM em São Paulo. Ontem o Sr. Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou "Acho que a crise aérea está resolvida em parte". Lí isso num jornal e, logicamente, não vi a cara do Sr. Presidente ao dizer isso; provavelmente, parecia feliz. E isso, para mim, é motivo de amargura, uma grande amargura. E isso, para mim, deveria ser motivo de vergonha e não de felicidade. Faz um mês. nenhum novo aeroporto foi inaugurado, nenhuma grande obra foi realizada nos aeroportos existentes, praticamente não se gastou nada, muito pouco. Só foi preciso algumas medidas burocráticas, alguns remanejamentos de vôo, uma certa dose de boa vontade... e 199 pessoas mortas. Só isso...

terça-feira, 31 de julho de 2007

Tranquem as portas! Fechem as cortinas!


Gente,

Sem tentar julgar o ato em si. O assessor especial do Lula, Marco Aurélio Garcia, está sendo julgado por ter sido filmado fazendo gesto obsceno, após reportagem sobre o acidente da TAM. Não estava em local público, não estava no Palácio do Planalto, nem em nenhum saguão de aeroporto, à vista de todos. Estava em sua sala, julgando-se em local privado, julgando-se em foro íntimo. Não estava. Pergunta: não seria o caso de julgar o reporter, profissional ou não, por invasão de privacidade?

De qualquer forma, a partir de agora, cuidado amigos! Ao distribuir rosquinhas, peidar ou arrotar em casa, olhe bem pela janela; você pode estar sendo filmado e este fato poderá ser usadoi contra você.

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Ao vencedor, as batatas!


Antes de mais nada, "Transformers", o Filme, é muito bom. Prá mim, até agora, o melhor "blockbuster" lançado neste verão americano, cinema-pipoca MESMO, assumidíssimo e excelente dentro de sua proposta.
E olha que tinha tudo prá dar errado. Primeiro, pelo diretor, Michael Bay, responsável por "Armageddon" (aquele que prova que qualquer americano , mesmo débil mental, vale mais que o resto da raça humana) e "Pearl Harbour" (aquele em que uma das maiores derrotas dos EUA termina com os americanos descendo o sarrafo nos japoneses), o que, convenhamos, deixa qualquer um com o pé atrás. Depois, por ser baseado no desenho animado sucesso da garotada na década de 80, tendo como tema robôs disfarçados de automóveis travando uma batalha de vida e morte na Terra, o que ,convenhamos , deixa qualquer um com o outro pé atrás. Mas "Transformers" soube, seguindo seu próprio nome, transformar o "já visto" em algo novo, reciclado mas bom. Porque, em "Transformers", nada se cria, tudo se transforma. E são várias as referências que qualquer adulto com mais de 30 anos vai encontar durante o fime. A começar por "Curtindo a Vida Adoidado", já que o Sam de Shia LaBeouf tem tudo a ver com o Ferrris Bueller de Mathew Broderick, na postura, na malandragem ingênua, na coragem adolescente. Inclusive acredito ser este ator, em que Hollywood aposta hoje todas as suas fichas, legítimo sucessor de Broderick como protótipo do adolescente deste início de século XXI. Depois, "Gremlins". A cena de Sam com os pais, na casa cercada pelos Megatrons, é "Gremlins" puro, sendo que a referência chega a ser mencionada no próprio filme com um furgão exibindo na carroceria um belo Gizmo, na cena da batalha nas ruas. Tem "Independence Day" com os alienígenas querendo destruir a Terra e com Megatron e o Cubo, fazendo a vez da nave espacial, escondidos num laboratório. Tem "Guerra dos Mundos" com a batalha nas ruas, lembrando a cena com os Tripods. E por aí vai...
Mas, e isso é que é importante, dando a todas essas referências um frescor novo, criando um produto totalmente remodelado, que se assiste com prazer. É como uma batata. A matéria prima é a mesma mas, se adicionarmos até mesmo a um purê um pouquinho de requeijão cremoso, teremos um novo sabor, um novo prato. Se vamos gostar ou não, depende da qualidade do cozinheiro. E desta vez, tenho que confessar, eu gostei do que comi... e lambi os beiços.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Outro dia, outro telejornal, mesmas nuvens...


Ontem (24/07), cheguei em casa cedo. Entre a novela das 7 (meia boca) e a das 8, ops!, 9 (muito boa), o Jornal Sanduíche, ops!, Nacional. Agora sim, vou ficar finalmente informado. E aí, num telejornal de exatos 45 minutos, fico sabendo a cotação do dolar, a previsão do tempo e... Pan e TAM. Só. Só. Só. Nada mais houve, nada mais interessa, nada mais se divulga. O Rio de Janeiro continua lindo e sem violência, no Oriente Médio acabaram-se os atentados e os sequestros, em São Paulo o trânsito está ótimo e as greves contidas e, em Brasília, o Executivo saiu de férias junto mcom o Legislativo. Aliás, é de se supor, o Mundo todo saiu de férias e está no Rio, curtindo o Pan. Ou melhor, não, já que, com a crise aérea, deve estar parado em algum aeroporto, esperando conexão.

terça-feira, 24 de julho de 2007

O Brasil nas nuvens

Ontem, (segunda), cheguei tarde em casa. Bye, bye, Jornal Nacional, fiquei esperando pelo Jornal da Globo. Jogo de volei, Brasil 3 sets a 0, e lá vem ele, o último jornal da noite na Globo, o próprio, o Jornal da Globo. Quase estourei pipoca prá assistir ao jornal e saber o que havia acontecido durante o dia (perto da hora de dormir, estômago pesado, pipoca não!) e... fiquei sabendo que, em 23/02/2007, só haviam acontecido três assuntos dignos de nota:
1. O último ocupou uns três minutos, porisso começo por ele: o bate-boca Alonzo/Massa, que aconteceu no domingo. Assunto antigo, nada de novo, notícia requentada.
2. O primeiro, dois blocos: caos aéreo e acidente da TAM. Na verdade, um assunto só com dois tópicos. E fiquei me perguntando (sem, de forma alguma, diminuir a extensão do problema, mas também sem aumentá-la): qual o percentual de brasileiros que viaja de avião? Qual a parcela da população afetada pelo problema e a quem a notícia realmente interessa?
3. Os Jogos Panamericanos, ou melhor, o desempenho dos atletas brasileiros no Pan, o que é muito diferente. Aliás, nem isso: as vitórias dos atletas brasileiros no Pan.
Quanto a ataques no Oriente Médio, violência no Rio de Janeiro (repararam que, desde o início do Pan, a violência no Rio - antes um dos assuntos prediletos do telejornalismo - acabou? Mistério...), escândalos políticos, nada. Os fatos relevantes do mundo resumiram-se a Pan e TAM.
Ou seja, ao que me parece, o brasileiro ou está fuçando as nuvens atrás do vôo atrasado ou com a cabeça nas nuvens, maluco com tantas medalhas. Quanto ao que nos interessa no dia-a-dia, resta-nos exercer o positivo exercício da criatividade. Fui dormir tão esclarecido quanto quando acordei.

domingo, 22 de julho de 2007

Mais Jornalismo...

Texto da coluna "Conversa Fiada" do Paulo Henrique Amorim deste domingo (22/07):

"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil."

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O Papel do Jornalismo (ou 17-07-2007/2)

É de minha natureza procurar outros pontos de vista. Frizo bem: sem esquecer ou tentar diminuir os já propostos e com os quais concorde. Acredito que é através da confrontação (já que "discussão" é hoje uma palavra "politicamente incorreta") que o ser humano evolui, pois que é questionando seus princípios enraizados que ele os atualiza ou até mesmo descarta e substitui.
Saint-Exupéry dizia que a Vida é como uma árvore e que o ser humano é como uma folha dessa árvore: apenas a vê de sua prespectiva, os poucos galhos que contempla, parte dela. Só Deus é do tamanho da árvore. Porisso gosto de fazer pensar, muitas vezes mostrando outra perspectiva (a minha) da mesma árvore.
Não é que eu descarte os erros (e graves) que estão sendo cometidos durante toda esta crise do "caos aéreo" e mesmo anteriores a ela e nem que eu não pense que a situação esteja insuportável e que deva ser revoltante aguardar horas, senão dias, num saguão de aeroporto. Já escrevi aqui mesmo, no entanto, que atrasos sempre houveram desde Santos Dumont, devido a neblina, chuva, vento ou qualquer outra condição metereológica que torne os vôos perigosos. Aí a culpa não é do Lula, não é da Infraero, não é dos controladores de vôo, não é do Papa... é de São Pedro.
O meu receio é que o Jornalismo, ao ser tendencioso, crie também tendências, nos torne tendenciosos. Aparentemente existe por parte de uma parcela dos meios de comunicação uma atitude mórbida de não analisar esses atrasos, creditando a Deus ou ao diabo a causa por eles. Tudo é culpa de algum diabo, e humano, que parece ter prazer em criar filas em aeroportos e fazer pobres coitados dormir em saguões. E não é bem assim.
Aparentemente também, a partir dos dados analisados até agora, o acidente do Airbus A-320 3054 de terça-feira não tem a ver com a liberação da pista do aeroporto de Congonhas após reforma. Parece mais serem causas humanas, mecânicas e/ou elétricas da própria aeronave, o que, convenhamos, também pode acontecer com nosso carro (com bem menos vítimas, é verdade).
Pelo que eu tenho conhecimento, a partir de entrevistas com técnicos especializados, o restante da obra, que deve ser realizada no próximo mês, apesar de aumentar a segurança da pista, não é fundamental e a pista, mesmo como está, já é mais segura do que era. Repito... de acordo com os técnicos que ouvi.
No entanto, fica minha pergunta: será que a pista teria sido liberada sem a conclusão integral da obra não fosse o atual caos aéreo? Será que, em condiçoes normais, sem pressões da sociedade, influenciada pela pressão da Imprensa, a gente não aguardaria sossegado o término das obras? Será que a Imprensa, no intuito de polemizar e/ou ganhar audiência, não nos transformou em espectadores tendenciosos dos fatos, enfiando sempre no mesmo saco problemas que não são sempre os mesmos? Ou seja: será que uma atitude não gerou (ou, pelo menos, influenciou) a outra? Será que uma análise superficial da situação de parte da Imprensa não criou uma revolta popular que, para ser minimizada, gerou a liberação em etapas da pista, que gerou novas críticas por parte da Imprensa, que gerou nova revolta, que gerou outra...
Como disse antes, o caos existe, os controladores pressionam (ironia, talvez até para que se opere com mais segurança, certo?), o governo se omite, a Infraero exime-se de culpa culpando pilotos americanos. Tudo isso eu sei. Mas sei também que estamos no inverno e que em muitas manhãs acordaremos com neblina sob nossas cabeças e aeroportos fechados... e que não há controlador que consiga, mesmo usando ventiladores ou leques, contornar esta situação.